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segunda-feira, 12 de março de 2012

ESTÂNCIA TERMAL DE BREJO DAS FREIRAS, um pouco de sua história




                                                                         Antonio Nogueira da Nóbrega





          A Estância Termal de Brejo das Freiras, localizada na zona rural de São João do Rio do Peixe-PB, em pleno sertão paraibano, distante 9km da sede-municipal e 478Km de João Pessoa, é considerada como estação balneária de significativa importância, tanto para a região quanto para o Estado, pelo seu grande potencial turístico.  
        
Ao longo do ano, a estância recebe a visita de turistas não só das comunas circunvizinhas, mas também de outras cidades mais distantes, tais como: Recife, João Pessoa, Fortaleza, Natal e Campina Grande que se dirigem ao local em busca de repouso e lazer, bem assim do poder curativo de suas águas sulforosas. Ela dispõe  de  um hotel, com capacidade para 150 pessoas, além de uma infraestrutura que consta de salão de convenções; 45 apartamentos confortáveis, todos climatizados e equipados com frigobar, circuito fechado de televisão e telefone;  restaurante,  com cozinha regional; biblioteca; salão de jogos; serviço de Internet. Além disso, conta com  parque aquático, banheira térmica, duchas térmicas, balneário dos hóspedes, quadra poliesportiva, quinze chalés, capela e um campo de pouso para aviões de pequeno porte, entre outras coisas que fazem do local um paraíso em pleno sertão.

No ano de 1921, na gestão de Epitácio Pessoa, então presidente da República, era iniciada a construção do açude de Pilões, com o sangradouro na cota de 268 metros, o que faria submergir inteiramente o local das fontes termais, inutilizando-as para sempre. Para salvá-las, reduziu-se a capacidade de água armazenada - de 350 milhões de metros cúbicos para l3 milhões. Na época, o governador do Estado era Sólon de Lucena.       
            Em 1932, o governo de Antenor Navarro, entusiasmado com a importância das termas, desapropriou as terras das freiras, através do Decreto 278, de 22 de abril do mesmo ano, considerando-as de utilidade pública. Até os dias de hoje, a Estância Termal de Brejo das Freiras pertence ao Estado, mas poderá mudar de dono, pois o governo deseja privatizar toda a sua rede hoteleira.
            Desapropriadas as terras, o arquiteto Nestor Figueiredo estudou um plano urbanístico, e o Interventor do Estado abriu crédito para a execução de seu programa. Mas, com a morte de Antenor Navarro, ocorrida a 26 de abril de 1932, a ideia foi abandonada.
           
Em 1933, Gratuliano de Brito, então Interventor do Estado, interessado pela criação da Estância Termal, autorizou a realização de estudos complementares, ficando confirmado que as águas termais tinham origem filoniana e subiam até  à superfície através de uma profunda fratura geológica, constituindo manifestações de antigas atividades vulcânicas.
            A convite de Gratuliano de Brito, Getúlio Vargas, o então presidente da República, e o ministro José Américo de Almeida visitaram o local, fazendo o lançamento da pedra fundamental da cidade termal. Isso ocorreu, provavelmente, no dia l4 setembro de l933, quando da visita que o presidente fizera a Pilões,  a fim de inaugurar o açude público daquela localidade.
             A construção do hotel e balneário foi realizada no espaço de seis meses, dando-se a sua inauguração no dia  27 de maio 1944, num sábado, às 16h, tendo sido animada pela orquestra “Jazz Tabajara. O ato inaugural, que foi presidido pelo Interventor Ruy Carneiro, contou com a presença de autoridades de todo o país, inclusive do prefeito de São João do Rio do Peixe, o Sr. .Gerôncio Nóbrega. No entanto, a situação econômica do Estado não permitiu que o primeiro plano fosse executado integralmente.
Antes da construção do atual hotel e balneários, o que havia no local, era apenas um tanque rudimentar, escavado no chão, com três metros cúbicos de volume, amparado por uma paliçada de madeira, com coberta de telha. Nesse tanque, sem higiene e sem conforto, banhavam-se as pessoas que recorriam aos efeitos miraculosos dessas águas.         
        Até o início dos anos 30 do século XX, no local onde hoje se ergue o hotel de Brejo das Freiras, assentava-se a sede de uma fazenda de criar gado, pertencente às freiras do Convento da Glória, de Recife, Pernambuco, que as obtiveram por doação dos irmãos Francisco de Araújo Carvalho Gondim e Manuel de Araújo Carvalho Gondim, ambos  padres (um falecido em 1792 e o outro, em l795), filhos do Cel. Manuel de Araújo Carvalho Gondim e Ana da Fonseca Gondim, residentes em Pernambuco, arrendatários de terras nos sítios Brejo e Olho D’água, encravados no atual município de São João do Rio do Peixe.
Segundo se sabe, quem primeiro deu notícia da existência dessas fontes termais foi Manuel Garro, isso no ano de 1719, quando, após um sangrento ataque indígena, desfechado contra o velho Arraial de Piranhas (hoje Pombal), ele organizou uma poderosa coluna e marchou contra os índios rebelados, afugentando-os para cima das serras. Chegando ao pé do serrote, descobriu as fontes termais. (Ver em “Apanhados Históricos, Geográficos e Genealógicos do GRANDE POMBAL”. SOUSA, Antônio José de. Gráfica Comercial, 1971)

No ano de 1944, quando estavam sendo realizadas as escavações nas  proximidades das fontes de Brejo das Freiras, para a construção do hotel e o balneário, foi encontrada a ossada de um dinossauro, que se achava a mais ou menos dois metros de profundidade, exatamente no local onde hoje fica a piscina. Esse achado permaneceu, por vários dias, exposto à visitação pública. Depois disso, foi encaixotado e levado para lugar ignorado. Hoje se sabe que esse fóssil encontra-se no Museu Nacional do Rio de Janeiro, fazendo parte do acervo daquela instituição, e não pode retornar ao lugar de origem. Francisco Nogueira Pinheiro, mais conhecido por Chico Pequeno –  de quem estes dados foram colhidos – foi testemunha ocular desse achado. Na época, ele residia no lugar, ou seja, Brejo das Freiras, onde  faleceu a 02.11.2007, aos 89 anos de idade.  
Respondendo a uma pergunta que lhe fizera no dia 01/03/1999, a respeito desse achado fóssil, Francisco Nogueira disse, entre outras coisas,  o seguinte:
“(...) Vi quando começaram a arrancar do primeiro osso até o derradeiro; ossos dum dinossauro... Assisti arrancar toda a ossada! Vi!... Vi!... Peguei nos ossos! A dentadura dele era uma coisa muito impressionante. Era uma o... os dentes assim aboleados, bem roxinhos, como ovo de codorniz; aqueles dentes ligados no mesmo osso do queixo. Tá vendo? Vi uma costela, uma costela mais ou menos assim com... de seis a sete palmos de altura... de comprimento. A costela era uma coisa impressionante.  Os ossos do corredor pareciam uma coisa viva, que tinham sido tirados naquele instante. Ninguém sabe nem quantos mil anos fazia que estavam enterrados aqueles ossos. Mas o osso do corredor, a cabeça do corredor... direitinho, limpinho... e não tinha nada estragado. Isso que estou contando foi o que eu vi! E esses ossos foram tudo... passaram muitos dias lá encima de uma mesa; de lá foram encaixotados e levados para o Rio de Janeiro, pros laboratórios de lá. Pronto! Era  isso o que eu tinha a dizer.”     

Primeiramente, a localidade foi conhecida por Olho D'água dos Araújo, em virtude de ter pertencido ao Cel. Manuel de Araújo Carvalho, que a obteve por arrendamento junto à Casa da Torre, da Bahia, no início do século XVIII. Tempos depois, Ana Fonseca Gondim, viúva que ficara do Cel. Manuel de Araújo Carvalho Gondim, requereu e obteve, por sesmaria, as terras por ele arrendadas: Brejo e Olho D’água, cuja concessão – datada de 20/03/1739, teve o número 262, passando-a, por sucessão de herança, aos dois filhos, os padres Francisco e Manuel.  A localidade recebeu a denominação atual quando passou, então, ao domínio das freiras.


Eis a descrição da análise completa da composição das águas das fontes de Brejo das Freiras, feita pelo Laboratório Bromatológico do Rio de Janeiro:

ELEMENTOS

Oxigênio Dissolvido .........................................0.62ml
Ácido carbônico total ...............................0.1837 g/litro
Ácido Carbônico Combinado ...........................0.0751 g/litro
Ácido carbônico meio combinado ......................0,1019 g/litro
Ácido Carbônico Livre ...............................0.0096 g/litro
Ácido sulfúrico  em SO4 ............................0,05424 g/litro
Ácido clorídrico em CL ..............................0,1200 g/litro
Resíduo a + 100-110ºC . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,5835  g/litro
Resíduo ao Vermelho sombrio .........................0,5150 g/litro
Perda do vermelho sombrio .......................... 0,0685 g/litro
Ferro e alumínio em Fe203+Al203 .................... 0,0040 g/litro
Cálcio em CaO ...................................... 0,0210 g/litro
Magnésio em MgC .....................................0,0008 g/litro
Potássio em K20 .................................... 0,0379 g/litro
Ácido silícico m STC2 ...............................0,0527 g/litro
Sódio em Na20 ...................................... 0,2910 g/litro
Grau hidrométrico total (francês).............................. 1,5
Grau permanente hidrométrico (francês) .........................1,5
Grau hidrométrico transitório (francês) ........................1,0
Matéria orgânica ...(Kubel Tiennan)................. 0,0008 g/litro
Matéria orgânica (Selutz Trensorff) .................0,0008 g/litro
Armênia livre  ............................................Vestígio
Armênia, Albuminoide, Nitritos, Lítio .................... Ausência
Bário e arsênio (Processo de Outz) ......................  Ausência

“Nota – Embora se trate de uma água pouco mineralizada, pela predominância dos ácidos clorídrico, carbônico e do sódio, é considerada como Cloro-Bicarbonato de sódio. Estima-se que 98,78% dos gases emitidos são o Nitrogênio e os gases raros. Sua vasão em 24h é de 160 metros cúbicos.” (ver “AS FONTES DE BREJO DAS FREIRAS”, editado em 1922, pela Editora Nova Era.  








   


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